quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


Queridos amigos e família
De Timor a minha saudação natalícia, pensando em cada um e em todos com votos e desejos de uma feliz época natalícia. Que este tempo seja de renovada esperança nas vossas realizações e que cada um/uma possa sentir-se empenhado/a na construção novos tempos para que o ano de 2013 seja próspero e essencialmente com sentido positivo. Assim, tentarei fazer o mesmo aqui nesta pequena ilha, mesmo sabendo que serei apenas uma gota no imenso oceano das necessidades e de tudo aquilo que é prioritário.
Envio em anexo a minha mensagem de Natal.
Um abraço amigo e Boas Festas Natalícias!
 

Boas Festas e Próspero Ano Novo de 2013


 
Natal é o tempo sublime da partilha e do amor que nos faz sorrir o coração e a alma diante do presépio que nos encanta!
Desejo-lhe a si e a toda a sua família extensiva a todos os seus amigos um Santo e Feliz Natal e um Prospero e
Abençoado Ano Novo de 2013
Com a certeza da minha amizade nestas terras longínquas de Timor Leste
. Um abraço natalício. Cristina Macrino.

 

 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Boa tarde a todos!
Desejo que estejam bem na preparação para o Natal. O tempo corre veloz como o vento; tudo acontece rapidamente e a vida vai-se transformando com a nossa intervenção continua, na relação de uns com os outros, no sentido com que realizamos as coisas e, claro, com a nossa vontade de desenvolver as nossas capacidades e aptidões. O importante mesmo é querer e querer é realmente poder! Esta tem sido a grande lição que vou aprendendo no dia-a-dia.

Não irei ser muito longa nesta partilha; apenas partilhar convosco uma visita que fizemos, a um lugar aqui no extremo da ilha de Timor oriental, ao Suai – distrito de Cova Lima, um distrito que está a iniciar alguma coisa a nível de desenvolvimento, os acessos são inacreditáveis mas o esforço que se faz para o desenvolvimento futuro é muito meritório. Em anexo vai um power point com as imagens do percurso de ida e volta, num só dia, cerca de 5horas para lá e 6h e tal para cá, para fazer 75km desde Maliana, mas valeu a pena.
Como sabem em setembro de 1999 aconteceu um massacre no Suai, dentro de uma igreja, um massacre feito pelos militares indonésios onde foram assassinadas 800 pessoas. É um local histórico e que agora tem uma nova igreja mandada construir pelo governo de Xanana Gusmão e inaugurada em Agosto de 2012.
Termino esta mensagem, desejando que este tempo, de preparação para o Natal, seja feliz, carregado de esperança e que o sentido solidário seja um valor entre todos cultivado para com os que mais necessitam, não só neste tempo natalício mas ao longo de todo o ano.
Um abraço quentinho de Timor cheio de saudades desse frio de Dezembro de Portugal.  Até breve

Ir. Cristina

 
 

 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012



MOÇAMBIQUE COM CHEIRO

 
Quem nasceu em Moçambique e saiu do país, quem como estrangeiro viveu em Moçambique, quem fez alguma experiência em Moçambique como missionário (a), voluntário (a) ou mesmo profissional, parece que levou um novelo enorme com uma ponta que ficou em Moçambique e outra que está amarrada ao seu coração. Não fica satisfeito enquanto não vem à procura da ponta que ficou em Moçambique. Parece que este fio nunca se rompe, nunca se parte.
Moçambique tem íman, tem vida, tem cor, tem dança, tem cheiro, tem tempo, tem beleza. Dúvidas? Se não puderem vir cá, pelo menos leiam Mia Couto ou Paulina Chiziane.
Esta terra fascinante de 801.590 km2 com quase 24 milhões de pessoas, continua com algumas carências ao nível da saúde, da educação e da organização, embora tenha um governo legitimamente constituído que vai construindo as regras da democracia. Como noutras democracias, há partidos da oposição (Renamo acantonada na Gorongosa) e o MDM (Movimento Democrático de Moçambique) sediado na Beira.
Nesse sentido, nós, ALVD, temos estado a apoiar e a intervir no Niassa, na Zambézia, em Nampula.
A área da Província do Niassa tem praticamente 130.000 km2, com uma população a rondar os 2 milhões de pessoas, com a capital de Lichinga a albergar 145.000 pessoas.
A grande particularidade desta província é que é a maior província de Moçambique. Tem um bispo dehoniano. E quanto a nós, é a província mais pobre e menos desenvolvida. Por isso, estamos a fazer um esforço para intervir com projetos de desenvolvimento a partir dos leigos dehonianos.
A Zambézia é uma Província com uma área de 105.000 km2, com uma população de quatro milhões de pessoas. Tem por capital a cidade de Quelimane povoada de grandes palmeirais. Nesta província, pontificam as comunidades religiosas dehonianas. A primeira presença dehoniana em Moçambique começou nesta província, mais propriamente, no Alto Molócuè em 1947.
A Província de Nampula com uma área de 81.600 km2, é a província com mais população, ultrapassando os 4 milhões. A primeira capital de Moçambique situa-se nesta área, ou seja, na ilha de Moçambique. Aqui o arcebispo também é dehoniano, D. Tomé.
A presença dehoniana também está em Maputo (com 26.000 km2 e uma população de 1 milhão e meio de pessoas).
Isto sem esquecer a nova presença dehoniana, na Diocese da Beira, através do arcebispo D. Cláudio della Zuanna, ordenado a 7 de Outubro passado.
Como sempre, e em todas as sociedades, nem tudo é perfeito…
Fui engraxar os sapatos em Nampula que já tinham uma camada de pó acumulada durante dez dias. Estava um jovem forte a engraxar os seus. Esperei a minha vez ali na estrada, frente à Faculdade de Direito da UCM. Quando acabou, levantou-se e foi embora sem mais nem menos. Perguntei ao homem que estava a engraxar: ele não paga? É polícia. Por isso, não paga. Eu pensei talvez os protege dos ladrões. Quando terminou de engraxar os meus, perguntei quanto é que ele deveria pagar. Começou a rir, porque sabe que branco tem de pagar mais, porque branco é sinal de dinheiro. Lá lhe dei o dobro do que costumam receber ou seja, 20 meticais (50 cêntimos).
No entanto, enquanto engraxava, meti conversa com uns miúdos que estavam ali.
Disseram eles: Oh a vida deve ser cara em Lisboa. Nós aqui por dez meticais (20 cêntimos) comemos uma mão de xima (massa de milho cozida) e meio carapau e já é um bom almoço. Fiquei a pensar na alimentação deles…
Também fui ao famoso mercado que há ao domingo em Nampula. Fui com um padre moçambicano, pároco de Namarrói. Quando eu estava perto dele, os comerciantes pediam sempre o dobro do valor das coisas. Quando eu estava perto, a camisa custava 100 meticais. Quando eu me afastava, eles pediam só 50 meticais.
E para acabar … chegou o rapaz da rua que vende o jornal de notícias que custa 15 meticais. Dei-lhe uma nota de cinquenta meticais (um euro). Não tinha troco. Foi buscar o troco. Nunca mais apareceu. Três dias depois encontrei-o a vender o jornal da véspera (porque nunca há jornal do dia) e disse sem mais para me dar o jornal. Nem pestanejou. Ainda tenho crédito de 20 meticais. Dois dias depois encontrei-o noutro lado e deu-me mais um jornal. Ainda ficou com 5 meticais de crédito.
 Nem tudo é perfeito. É uma sociedade a aperfeiçoar-se, a desenvolver-se ao seu estilo. É um livro a ser escrito ao ritmo da pena do povo moçambicano. É a luta por uma vida melhor. Penso que Moçambique tem futuro, porque não tem perfume fabricado, mas tem o cheiro da vida, o fascínio da África.
  

Adérito Barbosa, scj

 

Maputo, Dezembro de 2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DE TIMOR


Caríssimos amigos, família e irmãs
Este é um tempo favorável à nossa avaliação existencial. Sei que a vida é uma permanente corrida e luta contra mil e um fatores para viver e sobreviver com tantos limites que aparentemente nos condicionam, que nos fazem sentir uma certa depressão comum como se estivéssemos esquecidos, nesta condição humana, sem desejarmos grandes ambições, não que as não queiramos mas porque o tempo não está propício para esses desejos.Mas reafirmo que este é um tempo de reavaliação ao que somos e vivemos, não ao que temos e fazemos. O mês de novembro transporta- nos para a Vida depois da vida, para quem crê é claro, recordamos os que amámos, prestamos-lhe homenagem e pensamos quase de forma inevitável que a qualquer momento seremos nós a partir.
 No dia de Todos os Santos na RTP Internacional alguém explicava com entusiasmo quem eram os Santos: todos aqueles que viveram bem e que conseguiram deixar com o seu exemplo uma memória eterna ficando no coração de todos nós. Afinal cada um de nós tem os seus santos, concluiu que o melhor era mesmo tratarmos de ser alguém que fica no coração de muitos e ser santo!
É belo pensar nesta possibilidade eterna, marcar a vida dos outros e permanecer no seu coração.

No dia 2 de Novembro, em solidariedade com o nosso povo de Memo, prestámos homenagem aos que partiram e, com todos, entre cestos de pétalas benzidas na eucaristia, caminhámos até ao cemitério. Um encanto, estranho encanto para mim. A leveza desta visita aos ente queridos era como uma visita aos próprios vivos na memória e que recebiam as pétalas de todas cores, de todas os seus familiares de todas as idades, sem lágrimas, sem a dureza habitual do ambiente que suscita a própria morte; uma partilha estendida aos que vêm de fora e a nós que observámos atentamente esta experiência vivenciada cada ano por este povo que acredita realmente na unidade e na comunhão dos santos.
Tomei a liberdade de registar alguns desses quadros humanos que naturalmente sorriam à minha passagem e que com um aceno aceitavam o meu registo. Neste tempo que estamos a viver a Congregação viu partir duas pessoas, em pouco espaço de tempo, que certamente deixarão saudades e tristeza na sua ausência: a irmã Maria da Graça era uma pessoa simples e discreta, correspondia com simpatia ao nosso cumprimento e servia nas coisas mais comuns como um anjo louva a Deus e a nossa Madre Fernanda Augusta era absolutamente um tesouro escondido naquela que foi a sua longa vida de 97anos, lúcida, culta, doce como uma criança, orante, maternal, de um acolhimento divino sem fazer nunca alguma exceção de ninguém. A sua humanidade confundia os que não a queriam cultivar nem valorizar, assim como a sua incrível capacidade de estar atenta aos novos tempos e partiu nessa atitude. Lamentei e chorei as perdas, presto-lhes homenagem citando um ensinamento de um cardeal vietnamita, Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, muito conhecido e que viveu encarcerado ao longo de 13 anos numa terrível prisão do Vietnam: “ No teu apostolado, usa o único método eficaz: o contacto pessoal. Com ele, entra na vida dos outros, aprendendo a compreendê-los e a amá-los. As relações pessoais são mais eficazes do que as pregações e os livros. O contacto entre as pessoas e o intercâmbio, coração a coração, são o segredo para que a tua obra perdure e seja bem sucedida”. Fiquei tocada por dentro com o ensinamento deste asiático santo e que passou por uma provação difícil que a nossa mente nunca imaginará. Acolher e amar, esta é a herança destas nossas irmãs que agora permanecem no nosso coração e para quem nunca as conheceu; orgulho-me com amor de falar delas, vidas doadas sem correr o mundo, sem obras notadas mas vidas realmente banhadas de amor doado até ao fim.
Aqui, em Timor, no dia 12 de Novembro foi a celebração dos 21 anos do massacre em Santa Cruz - Dili e homenagem às vitimas do mesmo massacre. A maioria de nós, em Portugal, deve recordar-se bem dessa noticia em 1991, em que o jornalista Hernâni Carvalho, protegido, falava com comoção controlada as mortes e o massacre dentro deste cemitério, trágico e inacreditável, mas as imagens do jornalista inglês Max Stahl que arriscou a vida, valeu o principio do caminho para a liberdade de Timor Leste. Pessoas grandiosas que dão sem preço, que vivem pelo bem até dar a própria vida, Timor é terra de mártires, vivos e falecidos, santos em comunhão connosco. Se muitos pensam apenas no futuro e no desenvolvimento do país e a história é um passado a esquecer, para não a reviver, creio que a memória e a homenagem dos que lutaram e viveram a história não pode ser esquecida mas amada e venerada, fruto do amor de Deus por este povo.
Não quero motivar-vos a uma reflexão que vos deprima, apenas partilho pedaços de momentos que tenho também reflectido e, ao fazê-lo convosco, seremos muitos, talvez, a sentir e a ver de formas diversas todas estas coisas. Começaram as chuvas tropicais e as trovoadas intensas, quase sempre à mesma hora, pelas 14.30-15.00 horas, dizem os entendidos são chuvas cíclicas, duram umas 3 ou 4horas, inundam tudo e trazem os mosquitos que renascem das águas paradas, vale-nos o repelente e a luta vai começar contra esses malditos!
Para vós, o frio é a vossa tortura, mas quando chegar a primavera será um florescer belo das flores e do verde das colheitas, diferenças do mundo!
Um abraço amigo.

Cristina Macrino

 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012


 
Família Dehoniana Quase Total

Depois de voar mais de 10.000 kms (11 horas para Maputo e mais duas horas para Nampula), finalmente, cheguei a Nampula num avião da LAM que fazia o seu voo de inauguração Maputo – Nampula, via Beira (aqui o bispo da diocese é o arcebispo Cláudio della Zuanna, dehoniano). Batemos palmas, porque estávamos a inaugurar o avião, mas não houve champanhe. É que já tinha sido o batismo do avião na véspera numa cerimónia oficial.

Estou cá em Nampula para mais uma sessão de acompanhamento de doutoramento dos alunos na UCM. Sim. A cultura de um povo é a raiz do seu desenvolvimento. Por isso, realizamos este esforço todo.

Como fico sempre cá no bairro do pó em Napipine (em contraste com o cimento da cidade), tive o privilégio de concelebrar na missa dos crismas aqui na paróquia de S. Pedro, onde estavam presentes mais de 1000 pessoas. Os crismas eram só 300. Como as pessoas não cabiam todas na igreja, foi necessário improvisar um alpendre, para assim todas participarem dignamente.

Cerimónia que começou esta manhã às oito horas e terminou perto das 13h, exatamente neste momento que vos estou a escrever.

Cerimónia linda. Quem vem da Europa cronometrada, fica extasiado com este kairós (experiência de graça africana).

Homilia Linda, com português e macua ao mesmo tempo, em que o bispo tentava convencer que o crisma não é o fim da vida cristã, mas é preciso continuar a catequese como jovens e adultos.

Cantos Lindos, a lembrar as celebrações africanas nos Estados Unidos.

Danças Lindas no Kyrie, ofertório e ação de graças.

Cores das roupas Lindas com capulanas e lenços de todas as cores.

Ofertas das pessoas Lindas. Desde cabritos, galinhas, ovos (para matabicho), capulanas, perfumes, cebolas, ananás… Um grupo da comunidade ofereceu um envelope com algum dinheiro, dizendo que era para o bispo comprar gasolina para o carro. O bispo respondeu em tom de brincadeira, dizendo: vou pedir boleia e assim guardo o dinheiro para mim. Todos se riram. O pároco, P. Elia Ciscato, quando viu o cabrito a entrar na igreja perguntou: agora os cabritos também vão para a igreja?

É que a igreja estava a fazer de sacristia, já que a celebração foi ao ar livre. Ao fim da missa, uma mulher que estava a guardar os cabritos, as galinhas e os ovos perguntou-me pelas chaves do carro do bispo para guardar os animais. Respondi-lhe que não era o secretário, nem o motorista do bispo. Pouco convencida lá me deixou vir para casa para vos escrever estas linhas.
Quando acabou a missa, os representantes das comunidades vieram almoçar com o bispo e com os párocos.

Aí durante o almoço um velho contou uma história: um régulo mandou matar todos os velhos, porque não serviam para nada. Então uma jovem escondeu a sua avó na montanha para não ser morta. Assim todos os idosos foram dizimados.
No entanto, uma grande cobra atacou o régulo e enrolou-se nele, colocando a cabeça junto da cara do régulo.
Que fazer? Os jovens não sabiam que fazer. Então a jovem foi consultar a avó. Esta disse: apanhai muitas rãs e colocai-as perto da cobra. Assim fizeram. Quando a cobra viu as rãs, desenrolou-se do régulo e foi comer as rãs. O régulo perguntou quem teve a ideia de o salvar. Responderam que tinha sido a única velha viva. Então o régulo percebeu que os velhos são a sabedoria e necessários para a sociedade. A partir daí, protegeu e defendeu sempre as pessoas idosas.

Porque é que eu chamei a este título família dehoniana quase total?

É que o arcebispo de Nampula, D. Tomé, que estava a presidir a esta celebração é dehoniano.

O pároco e o superior da comunidade é dehoniano (P. Elia e P. Ricardo).

Um Instituto Secular aqui na paróquia chamada Companhia Missionária é dehoniano.

No mundo, temos leigos dehonianos, temos padres dehonianos, temos consagradas dehonianas, temos bispos dehonianos, temos cardeais dehonianos.

Só falta um papa dehoniano.

Nampula, hoje, dia 18 de Novembro de 2012

P. Adérito Gomes Barbosa scj

 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012


 De TIMOR
 
 
 
Oferta de Livros à Escola de Memo enviados pela ALVD

A missão das irmãs Reparadoras em Memo – Maliana entregou à Escola de Memo, manuais escolares do 1ºAno ao 7ºAno, oferecidos e enviados pela ALVD que irão beneficiar estes 14 professores que não têm livros para preparar as suas aulas e que muito gratos se expressaram com tão grande bem a fim de darem a sua melhor contribuição na educação dos 526 alunos desta Escola de Memo.
 
 As irmãs agradecem a esta Associação a oferta e todo o apoio que tem dado à missão, que será futuramente um maior enriquecimento cultural com estas ofertas e todos os livros em Portugal que aguardam transporte para Timor Leste.

Partilhar os bens com sentido de serviço, é sem dúvidas uma alegria enorme. 
 
Aos representantes da ALVD, vai um abraço de Timor Leste de cada uma das irmãs
 
 
 

 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012


De  TIMOR
Queridas Irmãs e amigos
Votos de paz, alegria e saúde para todas! Nós estamos bem, graças a Deus, apesar do intenso calor que nos visita dia e noite.
Queremos partilhar convosco um passo importante e com muito significado para nós, aqui na missão em Memo – Maliana. Ontem, dia 9 de Novembro, Festa da Basílica de S.João de Latrão, foi assinado o contrato da construção da futura residência e a bênção da primeira pedra, presidida pelo ecónomo da diocese, Pe. Norberto, na presença de alguns residentes e dos trabalhadores da empresa de construção. Foi uma celebração simples e simbólica mas invocada a bênção de Deus tem um valor grande e marca assim uma nova etapa da missão da Congregação em Timor Leste.
Pedimos a todas a oração persistente para que esta obra, agora iniciada, seja para gloria de Deus e testemunho de Cristo através das nossas vidas que nela irão residir, servir e amar em carisma reparador e ao serviço desta população de Memo.

Em anexo vão as fotografias a documentar esses momentos que partilhamos com todas, em sentido de unidade. Celebrem connosco esta nova etapa!

Um abraço a cada uma de cada uma de nós.

Ir.Olívia, Ir. Lurdes e ir. Cristina.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012


APRESENTAÇÃO DA ALVD EM LISBOA
 
Reuniu, no seminário de Alfragide, presidido pelo Padre Adérito Barbosa e com a presença de Joana Padinha e Maria Helena Calado, um grupo de 10 candidatos ao voluntariado proposto pela ALVD..
Depois de um momento, orientado pela Joana, sobre o que é o voluntariado, o Padre Adérito apresentou a carta de responsabilidades que foi lida e comentada pelos presentes
Após alguns esclarecimentos mais práticos marcou-se a data do próximo  encontro para o dia 2 de dezembro de 2012 sempre à mesma hora, 15:00h às 18:00h, no Seminário de ALfragide
 

terça-feira, 30 de outubro de 2012


A história da cebola…
 
"Certo dia uma velha avarenta morreu e foi parar às portas do céu junto de São Pedro. Vendo a vida avarenta que a velha tinha levado, S. Pedro decidiu enviá-la para o inferno. Porém, o seu anjo da guarda intercedeu junto de São Pedro para que ela pudesse entrar no céu. Para tal, reviu toda a história da senhora e encontrou um momento de caridade naquela vida tão avarenta. De fato, certo dia a velhinha lá tinha dado a uma cebola a um pobre desgraçado que tinha passado por sua casa. Assim, o anjo foi falar com São Pedro, que propôs um desafio ao anjo: «Vais com a cebola ao inferno resgatar a senhora. Se ela conseguir sair de lá, vem para o céu. Caso contrário, ficará lá». Prontamente, o anjo partiu para o inferno.
Quando lá chegou, estendeu a cebola e disse insistentemente para a velha se agarrar a fim de que resgatada pelo anjo fosse para o céu.
Sucedeu, todavia, que as restantes almas que estavam no inferno ao verem a velha a ser içada pela cebola agarraram-se a ela. Tomada novamente pela avareza, a velha, temerosa de que a cebola se desfizesse-se e assim perdesse o seu lugar no céu, começou a pontapear e insultar aqueles que a ela se agarravam.
Diante do coração avarento da velha, a cebola desfez-se e a velha caiu novamente no inferno onde ficou, desperdiçando o esforço do seu anjo da guarda que a tentara salvar."
 

 

 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012


Olá Amigos

Depois de um mês em Angola, na casa dos padres dehonianos, uma experiência que esperamos tenha produzido bons frutos e termos ganho uma experiencia bastante grande. Chegamos a Lisboa depois de 7 horas de viagem. Os amigos e a família estavam à nossa espera, o que foi agradável.

Para todos, vai um grande abraço pelas vossas mensagens de apoio.

Fátima e Domingos

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012


 
 
 





Caríssimos amigos, irmãs e meus familiares
 

De volta ao ritmo de Timor Leste, já recuperada dessas diferenças climáticas e fuso horário e a cultivar a permanente motivação para continuar o percurso da missão, conjuntamente com a ir. Olívia e a ir. Lurdes, as aliadas e companheiras desta grande aventura que está longe de chegar à meta consumada. Apesar de alguma inação por falta de estruturas físicas e meios para iniciarmos um trabalho mais alicerçado num objetivo sonhado, já temos muitos passos dados.
A minha chegada a Maliana teve como primeira visita às Clarissas portuguesas de Monte Real que tinham chegado aqui no dia 13 de Setembro, uma visita coroada com um especial jantar na sua nova casa, transformado num mini-mosteiro. O jantar foi antecipado com a missa presidida pelo padre Hipólito, um jovem timorense que tem sempre uma atitude serena e contemplativa em tudo aquilo que partilha com as portuguesas. Em cada instante destes pequenos acontecimentos, sentimos que a unidade entre as pessoas é sempre uma grande vantagem, uma vantagem que nos faz ver que não estamos sós, neste mar de limitações e obstáculos que não cessam de nos bater à porta nas mais variadas maneiras.
E tudo se vai ajustando, até o desencaixotar dos muitos caixotes que eu própria tinha enviado de Portugal, porque afinal por 2,98 euros por cada 2kg de coisas, valeria a pena enviá-las para que, pelo menos o básico não nos falte, o que  me preocupa um pouco é que alguns que enviei em Agosto ainda não chegaram, mas irão chegar, tenho a certeza.
Fui revendo os lugares que rodeiam a residência a começar pelos vizinhos que se tornaram os nossos protetores e vigilantes quase noite e dia. A Amália, a bébé das fotos era uma recém-nascida em Junho, por pouco que nascia a caminho do hospital no jipe,  quando pelas 10 da noite transportámos a mãe. Seria o meu primeiro parto (pois também sou enfermeira), embora não tenha qualquer experiência desta assistência emergente naquela noite estava determinada a agir e relembrar essas noções que apreendi enquanto estudante de Enfermagem.
 Depois da visita a esta família, fomos percorrer a pé todo o território, agora transformado junto à ribeira fronteiriça.
A desilusão maior foi verificar o empasse da máquina do furo que se encontra no terreno da nossa futura residência desde agosto e agora quase a meados de Outubro continua sem grande evolução, porque,  segundo os técnicos, a broca fura e não sai porque encontra obstáculos nos 37 metros já furados. A máquina, cada dia sim, dia não, bloqueia e tem de ser arranjada e fica parada mais 24 horas. Enfim uma tensão que nos deixa quase desesperadas porque o tempo passa e de 2 em 2 dias acaba-se a água na rudimentar canalização da atual casa, onde habitamos. E  sem água, sem eletricidade durante muitas horas do dia como hoje, e em tantos empasses de espera, resta-nos esperar por aquele dia que irá acontecer e que vão cessar esses obstáculos básicos para que a coragem não falte.
Mas nem tudo é assim tão desolador. Temos o nosso Salão novo pronto a funcionar. Já iniciámos uma serie de atividades interessantes com o grupo de adolescentes a que demos o nome de “Grupo dos Pastorinhos de Fátima”. Todos os dias pelas 17,30  cerca de uma centena de crianças depois de terminar a escola vêm rezar o terço neste novo salão e bem se vê o entusiasmo deles por estarem num espaço físico novo sentados em cadeiras, que é outra oportunidade significativa, e ali rezam com o seu terço de plástico, objeto sagrado e amado por eles e que fazem questão de o trazer ao pescoço como se fosse um objeto da mais cara ourivesaria; sempre me impressionou isso.
A semana passada a ir. Olívia decidiu propor ao grupo dos Pastorinhos uma atividade de jardinagem, de casa cada um trouxe a sua flor e aqui as plantaram no espaço em redor do Salão, pelas fotos podem ter uma ideia de como foi interessante a reação deles.
Pensámos então em fazer o plano  de atividades para o grupo e na segunda-feira, ontem, a proposta foi fazer cada um, um desenho a exprimir o que gostam no grupo de Pastorinhos e assim desenvolver a sua imaginação. O curioso desta atividade que me surpreendeu imenso foi de fato a dificuldade que a maioria teve para esta aparente simples realização, depois de muito insistir cada um, a seu jeito e a medo, lá fez a obra-prima que agora está exposta no salão; alguns são realmente expressivos e até ternos.
 Não obstante estas pequenas centelhas da vida da missão, gostaria também de partilhar um pequeno episódio que me comoveu muito. Um dos nossos vizinhos anda a fazer a sua nova casa, aqui o espirito comunitário é um valor comum e bem definido entre a população, o problema mesmo é para além da falta de dinheiro e outras coisas básicas, não terem meios de transporte para acartar o material comprado para  a construção. Vieram-nos pedir para fazer esse frete em Maliana e lá fui eu, carregar o cimento, os ferros e outras coisas que de outra maneira não poderiam ser transportadas, para mim foi algo normal, sem grandes custos, sem qualquer dificuldade, mas quando cheguei ao lugar da construção o senhor, com tanta comoção, beijou-me as mãos a chorar agradecendo o favor, fiquei estupefata com tal atitude, já lá vão alguns dias e não me sai da cabeça tal gesto, embora já tenha ido de novo depois dessa vez buscar mais coisas para a dita construção pensei: “ao menos com este gesto de poder ter um carro posso ser útil a alguém e fazer a diferença em pequenos nadas para mim e que são tudo para os outros”.
O nosso dia termina sempre com um deslumbrante Pôr-do-sol que podemos ver descer em poucos minutos entre montanhas no horizonte que será nosso 24 sobre 24horas quando a nossa residência for habitada por nós.
E para os mais assustados/as e os mais corajosos/as apresento-vos finalmente um dos  residentes noturnos das paredes exteriores, a nossa pequena casa o Toky, de uma textura belíssima, este reptil sereno e original todas as noites afirma-se presente dizendo: “Tou aqui”, a medo lá o fotografei com o seu consentimento, desejo que o admirem.

E termino, um abraço e continuo a contar com o vosso apoio.

Tudo de bom para todos e todas vós.


Até breve.

 Ir Cristina

terça-feira, 9 de outubro de 2012


Visita ao Pe. Zezinho!

 

É meio-dia deste 5 de outubro de 2012, sexta-feira.

Eu, já sentada no ônibus da Pássaro Marrom, que me leva de volta a São Paulo, após a visita feita ao Pe. Zezinho, nesta manhã, procuro registrar nosso feliz encontro, para partilhar com os amigos. Não caibo em mim de alegria, por vê-lo feliz, bem disposto e cheio de esperança. Ele repousa “no seu costumeiro quarto”, junto ao Hospital Antoninho Marmo, das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, em São José dos Campos, muito bem cuidado pela sobrinha Débora e Irmã Mirian, acompanhado pela fonoaudióloga e alguns médicos. Estava mesmo fazendo exercícios com a fonoaudióloga, quando lá cheguei (hora marcada, às 10h30min). Ele me recebeu alegre, com um sorriso aberto: “Chegou ela!” Perguntaram-lhe: ela quem? Quem é essa?... Prontamente respondeu: “Essa é a Irmã Miria”. Lembrou meu nome, o que é excelente sinal de melhora. Fiquei ainda mais feliz por vê-lo se recuperando, melhor do que eu esperava, louvado seja Deus!

De Notbook nas mãos, treina e pronuncia as palavras, escreve e prepara seu novo livro “O púlpito que dói.” De que trata? – pergunto-lhe. Ao que responde: É sobre as reflexões homiléticas dos nossos padres, que devem tratar da Palavra de Deus, do Evangelho, sem se distanciar...”

Contou-me com detalhes como tudo aconteceu naquela quarta-feira de 19 de setembro, quando voltou de viagem cansado, mas ainda foi trabalhar e preparar uma entrevista. O que lhe agravou o problema é a diabetes, que exige cuidado e disciplina, coisas que aliás não lhe faltam. Grato a Deus e consolado, dizia: “ A isquemia afetou apenas o meu lado esquerdo do cérebro, o das palavras e da memória. O direito, que é o da arte, da criatividade e da música, está perfeito.”

Comparando sua situação de hoje com os dez primeiros dias, quando não lembrava mais de nada, ele se percebe ótimo, melhorando gradativamente... Um processo longo, recuperação lenta, mas acontecendo de modo muito satisfatório, graças ao seu otimismo, disciplina, hábitos saudáveis, notável paciência e incondicional colaboração. Percebe-se sensível melhora a cada dia! Por enquanto, até o final do ano, não poderá assumir shows, mas ficar longe, em repouso... Serão talvez ainda uns 2 meses de tratamento intenso, para recuperar a fala e a memória.  Às vezes as palavras demoram a ser lembradas ou lhe fogem; está reaprendendo a dizer  o nome das coisas, das pessoas, ora lembradas, ora esquecidas. “Aprender é comigo mesmo”, completa Pe. Zezinho, em sua humildade e simplicidade, sabedoria e confiança em Deus!
Quando lhe falei dos lugares por onde andei nessas duas últimas semanas, sobretudo Mozarlândia, no interior de Goiás, e Juazeiro do Norte, no Ceará, e de quanto o povo reza e pergunta por ele; de que o visitava em nome de todos os que lhe querem bem e cantam suas músicas, ele agradeceu sorrindo: “Sou grato a todos, pela amizade e pelas orações. Preciso, eu mesmo, reencontrar as palavras e despertar a memória que me fugiu. Mas se Deus quiser, com tantas preces, chegarei lá... Já estou melhorando bem.”

Ajudou-me a cantar “Deus é bom”, CD que lhe levei de presente. A foto que tiramos juntos foi com sua permissão: ele mesmo escolheu o melhor lugar, no jardim. Também registrei a presença de Irmã Mirian e a sobrinha Débora, que o acompanham de perto e cuidam de tudo com carinho.

Posso dizer que meu coração exultou de alegria ao vê-lo com brilho nos olhos e sorriso nos lábios, abrindo os braços para me acolher. No abraço que nos demos, eu tive presente cada amigo, todos os que lhe querem bem e rezam cantando suas canções, e que gostariam também de estar com ele naqueles privilegiados momentos. Partilho com vocês, povo de Deus, amigos nossos, do canto e da música, este encontro abençoado, para que também se alegrem, continuem rezando e confiando a Deus nosso cantor e poeta maior!

 Irmã Miria T.Kolling                                                                                              
São Paulo, 5 de outubro de 2012.